ENEM 2014 · Ciências Humanas · História · Brasil República
Questão 42 do ENEM 2014
Resposta: letra A. Dois textos discutem a democracia no contexto do golpe de 1964: um jornalista apoia a intervenção militar como necessária para 'manter a democracia', enquanto outro autor defende que a democracia não pode ser sacrificada em nome de qualquer avanço, nem mesmo econômico. O comando pede identificar a divergência entre essas visões, focando o que cada um prioriza ao justificar a democracia.
**TEXTO I**
O presidente do jornal de maior circulação do país destacava também os avanços econômicos obtidos naqueles vinte anos, mas, ao justificar sua adesão aos militares em 1964, deixava clara sua crença de que a intervenção fora imprescindível para a manutenção da democracia.
Disponivel em: **http://oglobo.globo.com**. Acesso em: 1 set. 2013 (adaplado).
**TEXTO II**
Nada pode ser colocado em compensação à perda das liberdades individuais. Não existe nada de bom quando se aceita uma solução autoritária.
FICO, C. **A educação e o golpe de 1964**. Disponivel em: www.brasilrecente.com.Acesso em: 4 abro 2014 (adaptado).
Embora enfatizem a defesa da democracia, as visões do movimento político-militar de 1964 divergem ao focarem, respectivamente:
- ARazões de Estado – Soberania popular.Resposta correta
- BOrdenação da Nação – Prerrogativas religiosas.
- CImposição das Forças Armadas – Deveres sociais.
- DNormatização do Poder Judiciário – Regras morais.
- EContestação do sistema de governo – Tradições culturais.
Como resolver a questão 42 passo a passo?
O conceito que resolve
O golpe de 1964 foi um movimento político-militar que instaurou uma ditadura no Brasil, justificado por setores conservadores como necessário para 'salvar a democracia' de supostas ameaças (como reformas de base, comunismo ou instabilidade). No entanto, há duas visões opostas sobre democracia aqui: uma que a vincula a ordem e estabilidade nacional (mesmo que por meio autoritário) e outra que a associa à liberdade individual e soberania popular, inegociáveis. O comando exige identificar esses dois focos divergentes nos textos.
Como chegar na resposta
- Ler o Texto I e identificar o que o jornalista considera 'imprescindível' para a democracia: ele vincula a intervenção militar à manutenção da ordem e do progresso econômico, ou seja, a democracia como um meio para evitar o caos e garantir desenvolvimento nacional.
- Ler o Texto II e perceber que o autor rejeita qualquer justificativa para perder liberdades individuais, mesmo que em nome de benefícios como ordem ou crescimento. Para ele, democracia é liberdade inegociável, não um meio para outros fins.
- Comparar os dois focos: o Texto I prioriza a estabilidade e organização da nação (razões de Estado) como condição para a democracia; o Texto II prioriza a soberania popular e liberdades individuais como fim em si mesmo da democracia.
- Eliminar alternativas que não refletem essa oposição: soberania popular × razões de Estado. Outras opções misturam conceitos sem relação (religião, deveres sociais, Judiciário, tradições culturais).
- Confirmar que a alternativa que nomeia razões de Estado (Texto I) e soberania popular (Texto II) é a única que condensa a divergência central do comando.
Por que cada alternativa
- AResposta correta. O Texto I defende a intervenção militar como razões de Estado (ordem, progresso econômico, estabilidade nacional), enquanto o Texto II prioriza a soberania popular (liberdades individuais como fim, não meio). Essa alternativa captura a divergência central do comando, sem distorcer os termos.
- BErro: confusão entre 'ordenação da nação' e 'prerrogativas religiosas'. O Texto I não menciona religião em nenhum momento. A alternativa inventa um vínculo entre golpe e religião, que não existe nos textos. Além disso, 'prerrogativas religiosas' não é tema dos dois autores.
- CErro: generalização excessiva e conceito ambíguo. 'Imposição das Forças Armadas' é um fato histórico (o golpe foi militar), mas não é o foco dos textos. O Texto I fala em 'intervenção imprescindível', não em 'imposição' como valor em si. 'Deveres sociais' também não aparece: o Texto II fala em liberdades, não em deveres.
- DErro: desvio para instituições e moral. O Texto I não menciona Judiciário, e o Texto II não discute 'regras morais'. A alternativa confunde democracia com questões jurídicas ou éticas abstratas, ignorando o núcleo dos textos: ordem nacional × liberdades individuais.
- EErro: 'contestação do sistema de governo' é vago e não condiz com os textos. O Texto I não 'contesta' o sistema, apoia o golpe. O Texto II também não fala em 'tradições culturais', e sim em liberdades. A alternativa mistura crítica ao regime com cultura, sem relação com os argumentos apresentados.
Onde essa questão derruba a maioria
A alternativa B é a mais perigosa porque usa termos que aparecem em discussões sobre 1964 (militares, ordem), mas inventa 'prerrogativas religiosas', um conceito ausente. Já a alternativa C pode atrair por mencionar 'Forças Armadas', mas o comando não pergunta sobre *como* ocorreu o golpe, e sim sobre o que cada texto prioriza para defender a democracia. A pegadinha está em confundir meio (golpe militar) com fim (o que se considera democracia).
O que estudar se você errou
Relia o Texto I: o jornalista justifica o golpe como necessário para 'manutenção da democracia', mas seu foco é evitar o caos e garantir avanços econômicos. Não é sobre religião, moral ou deveres sociais. Já o Texto II é claro: 'nada compensa a perda de liberdades individuais', ou seja, democracia como liberdade, não como ordem. Se você pensou em C ou E, pergunte: o que os textos dizem sobre *liberdade* ou *soberania*? Se não mencionam, a alternativa provavelmente está errada.
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