ENEM 2013 · Ciências Humanas · Sociologia · trabalho e desigualdade
Questão 16 do ENEM 2013
Resposta: letra E. A questão analisa a evolução do controle laboral, contrastando o modelo taylorista/fordista com o trabalho flexível descrito por Sennett. No novo modelo, embora o local de trabalho seja descentralizado, o controle sobre o processo de trabalho se intensifica, com supervisão mais direta e foco nos resultados finais, em vez de nos procedimentos detalhados.
Um trabalhador em tempo flexível controla o local do trabalho, mas não adquire maior controle sobre o processo em si. A essa altura, vários estudos sugerem que a supervisão do trabalho é muitas vezes maior para os ausentes do escritório do que para os presentes. O trabalho é fisicamente descentralizado e o poder sobre o trabalhador, mais direto.
SENNETT, R. **A corrosão do caráter:** consequências pessoais do novo capitalismo. Rio de Janeiro: Record, 1999 (adaptado).
Comparada à organização do trabalho característica do taylorismo e do fordismo, a concepção de tempo analisada no texto pressupõe que
- AAs tecnologias de informação sejam usadas para democratizar as relações laborais.
- BAs estruturas burocráticas sejam transferidas da empresa para o espaço doméstico.
- COs procedimentos de terceirização sejam aprimorados pela qualificação profissional.
- DAs organizações sindicais sejam fortalecidas com a valorização da especialização funcional.
- EOs mecanismos de controle sejam deslocados dos processos para os resultados do trabalho.Resposta correta
Como resolver a questão 16 passo a passo?
O conceito que resolve
A passagem discute a transformação das relações de trabalho sob o capitalismo contemporâneo. Enquanto o taylorismo e o fordismo se caracterizavam por uma divisão rígida do trabalho e controle burocrático centralizado, o 'trabalho flexível' permite que o trabalhador escolha o local, mas sujeita-o a um controle mais intenso e direto por parte do empregador, muitas vezes mediado por tecnologias de informação. O poder não é democratizado; ele se desloca para um controle mais focado nos resultados do que nos processos.
Como chegar na resposta
- Identificar o modelo de trabalho antigo (taylorismo/fordismo) e suas características: controle burocrático, divisão de tarefas, foco em procedimentos.
- Analisar o novo modelo ('tempo flexível') descrito no texto: descentralização física, aumento da supervisão, controle direto sobre o trabalhador.
- Comparar os dois modelos quanto ao locus do controle: no antigo, o controle era procedural e centralizado; no novo, é mais direto e focado nos resultados.
- Avaliar as alternativas à luz dessa comparação, buscando a que melhor descreve a mudança de paradigma do controle laboral.
Por que cada alternativa
- AErrado. O texto afirma que a supervisão é *maior* para os ausentes do escritório, indicando que a tecnologia é usada para intensificar o controle, não para democratizá-lo.
- BErrado. A burocracia não é transferida; o que muda é o local de execução do trabalho. O controle sobre o processo (burocracia) permanece centralizado, apenas exercido de forma mais direta sobre o trabalhador remoto.
- CErrado. A questão não trata de terceirização ou qualificação profissional. Ela trata do tipo de controle exercido pelo empregador sobre o trabalhador, independentemente de ele estar terceirizado ou não.
- DErrado. O texto não menciona sindicatos ou especialização funcional. Ele fala sobre o poder do empregador sobre o trabalhador individual, não sobre movimentos coletivos ou divisão de tarefas.
- ECorreto. O texto indica que, no trabalho flexível, o controle é 'mais direto' e que o trabalho é 'fisicamente descentralizado', sugerindo que o foco do controle se move da supervisão detalhada dos procedimentos (como no taylorismo) para a avaliação dos resultados finais alcançados pelo trabalhador.
Onde essa questão derruba a maioria
A principal pegadinha é confundir a 'descentralização física' do trabalho com a 'democratização' das relações laborais. O texto deixa claro que, embora o trabalhador possa escolher o local, o controle sobre ele é mais forte, não mais fraco. Portanto, a alternativa A é atraente, mas incorreta, enquanto a E captura a verdadeira essência da mudança de paradigma de controle.
O que estudar se você errou
Ao revisar, é crucial distinguir entre o 'lugar' do trabalho e o 'poder' sobre o trabalho. O trabalho flexível não significa liberdade; significa que o empregador tem novas ferramentas para controlar o trabalhador, mesmo à distância. A resposta correta deve refletir essa intensificação do controle, não uma redução dele.
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