ENEM 2013 · Ciências Humanas · História · Brasil República
Questão 11 do ENEM 2013
Resposta: letra C. O texto critica a concentração de poder nas mãos de grupos regionais (oligarquias) durante a República Velha, que usavam a 'política dos governadores' para influenciar o poder central, distorcendo a ordem federativa prevista na Constituição.
Nos estados, entretanto, se instalavam as oligarquias, de cujo perigo já nos advertia Saint-Hilaire, e sob o disfarce do que se chamou “a política dos governadores”. Em círculos concêntricos esse sistema vem cumular no próprio poder central que é o sol do nosso sistema.
PRADO, P. Retrato do Brasil. Rio de Janeiro: José Olympio, 1972.
A crítica presente no texto remete ao acordo que fundamentou o regime republicano brasileiro durante as três primeiras décadas do século XX e fortaleceu o(a)
- APoder militar, enquanto fiador da ordem econômica.
- BPresidencialismo, como o objetivo de limitar o poder dos coronéis.
- CDomínio de grupos regionais sobre a ordem federativa.Resposta correta
- DIntervenção nos estados, autorizada pelas normas constitucionais.
- EIsonomia do governo federal no tratamento das disputas locais.
Como resolver a questão 11 passo a passo?
O conceito que resolve
A 'política dos governadores' foi um arranjo político informal da República Velha (1889–1930) em que líderes estaduais (coronéis/oligarcas) controlavam o voto de seus estados em troca de apoio do governo federal. Isso centralizava o poder nas mãos de elites regionais, prejudicando a autonomia dos estados e a democracia. O texto de Prado Jr. denuncia esse sistema como uma distorção da federação, onde o poder central (Presidência) dependia dos governadores, mas estes, por sua vez, dominavam as bases políticas locais.
Como chegar na resposta
- Identificar o contexto histórico: República Velha (1889–1930), período de dominação oligárquica e fraude eleitoral.
- Decifrar a crítica do texto: 'oligarquias' + 'política dos governadores' = poder concentrado em grupos regionais, não em instituições.
- Entender 'círculos concêntricos': os governadores estaduais (periferia) controlavam o poder central (Presidência), mas o texto critica que esse sistema fortaleceu o domínio regional, não o poder central em si.
- Analisar cada alternativa para ver qual explica esse domínio regional sobre a federação.
- Eliminar alternativas que falem de militarismo (A), presidencialismo (B), intervenção constitucional (D) ou isonomia federal (E), pois o texto não menciona esses temas.
- Confirmar que a alternativa que menciona 'grupos regionais' e 'ordem federativa' (C) é a única que abrange a crítica do texto.
Por que cada alternativa
- AErro: Confunde a crítica com um regime militar. O texto não menciona o Exército ou ordem econômica. A República Velha tinha poder militar, mas a crítica é sobre oligarquias regionais, não sobre intervenção militar. Quem escolhe essa alternativa pode estar pensando em tenentismo ou Revolução de 1930, mas o texto é anterior a esses eventos e não cita o Exército.
- BErro: Inverte a relação de poder. O presidencialismo não limitava os coronéis; era controlado por eles. A 'política dos governadores' fortalecia os estados, não o presidente. Quem marca B pode estar confundindo a crítica com uma tentativa de limitar os coronéis (o que só ocorreu com Vargas, depois de 1930).
- CResposta correta. O texto critica o domínio das oligarquias regionais sobre a federação, justamente o que a alternativa descreve. A 'política dos governadores' era um acordo entre elites estaduais para controlar o poder central e as bases políticas locais, distorcendo a autonomia dos estados. O termo 'ordem federativa' refere-se à estrutura constitucional de divisão de poderes, aqui manipulada pelos grupos regionais.
- DErro: Distorce o sentido da intervenção. O texto não fala em intervenção constitucional, mas em controle informal pelos governadores. Além disso, a intervenção federal nos estados era prevista na Constituição, mas não era o problema central: o problema era o abuso desse poder pelos próprios governadores, não sua autorização legal.
- EErro: Inverte a realidade. A isonomia (igualdade de tratamento) não existia: os governadores tinham poder desigual e manipulavam o sistema. Quem marca E pode estar lendo o texto como uma defesa da federação, quando na verdade é uma crítica à sua distorção pelas oligarquias.
Onde essa questão derruba a maioria
A alternativa B é uma armadilha comum porque o presidencialismo era um alvo de críticas na República Velha, mas o texto não fala disso. A crítica é sobre quem controlava o presidente (os governadores), não sobre o presidente controlar os coronéis. Já a alternativa C exige entender que 'ordem federativa' não é um elogio, mas um conceito distorcido pelo sistema oligárquico.
O que estudar se você errou
Relia o texto com foco nas palavras-chave: 'oligarquias', 'política dos governadores' e 'círculos concêntricos'. Pergunte-se: quem tinha poder real? Era o governo federal ou os grupos regionais? O texto diz que o poder central era 'o sol' do sistema, mas alimentado pelos governadores — ou seja, eles é que comandavam, na prática.
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