ENEM 2019 · Ciências Humanas · Filosofia · ética
Questão 58 do ENEM 2019
Resposta: letra B. Agostinho afirma que a vontade livre foi dada para que o homem atue corretamente; a punição divina fundamenta-se no uso indevido dessa liberdade, ou seja, na insuficiência da autonomia moral para agir segundo o bem.
De fato, não é porque o homem pode usar a vontade livre para pecar que se deve supor que Deus a concedeu para isso. Há, portanto, uma razão pela qual Deus deu ao homem esta característica, pois sem ela não poderia viver e agir corretamente. Pode-se compreender, então, que ela foi concedida ao homem para esse fim, considerando-se que se um homem a usar para pecar, recairão sobre ele as punições divinas. Ora, isso seria injusto se a vontade livre tivesse sido dada ao homem não apenas para agir corretamente, mas também para pecar. Na verdade, por que deveria ser punido aquele que usasse da sua vontade para o fim para o qual ela lhe foi dada?
AGOSTINHO. O livre-arbítrio. In: MARCONDES, D. **Textos básicos de ética**. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008.
Nesse texto, o filósofo cristão Agostinho de Hipona sustenta que a punição divina tem como fundamento o(a)
- ADesvio da postura celibatária.
- BInsuficiência da autonomia moral.Resposta correta
- CAfastamento das ações de desapego.
- DDistanciamento das práticas de sacrifício.
- EViolação dos preceitos do Velho Testamento.
Como resolver a questão 58 passo a passo?
O conceito que resolve
Relação entre livre-arbítrio, finalidade divina e fundamento da punição na ética agostiniana.
Como chegar na resposta
- Identificar a tese do texto: livre-arbítrio concedido para agir corretamente.
- Observar que o uso da vontade livre para pecar traz punição divina.
- Concluir que a punição se baseia no desvio do fim correto da vontade livre.
- Comparar com as alternativas e escolher aquela que expressa essa ideia (insuficiência da autonomia moral).
- Descartar as outras por não terem relação com o trecho.
Por que cada alternativa
- AErro: o texto não menciona celibato nem voto de castidade; a alternativa introduz um tema externo.
- BRazão: Agostinho diz que a vontade livre foi concedida para agir corretamente; quando o homem não consegue usar essa autonomia para o bem, recai sobre ele a punição divina; assim, a base da punição é a falha da autonomia moral em cumprir seu fim.
- CErro: o texto não fala de desapego ou de ações relacionadas a renunciar a bens; a alternativa traz conceito alheio ao argumento.
- DErro: não há referência a sacrifícios no trecho; a alternativa confunde o contexto com rituais religiosos não discutidos.
- EErro: Agostinho fundamenta a punição no uso inadequado da vontade livre, não na transgressão de leis específicas do Antigo Testamento; a alternativa traz um critério alheio ao raciocínio apresentado.
Onde essa questão derruba a maioria
A armadilha é confundir a base da punição com a violação de normas externas (como celibato, sacrifício ou Antigo Testamento), quando o texto deixa claro que o fundamento está no uso próprio da vontade livre dada para o bem.
O que estudar se você errou
Verificar se a alternativa escolhida realmente captura a ideia de que a punição decorre do mau uso da liberdade concedida para agir corretamente; reler o trecho para confirmar que não há menção a celibato, desapego, sacrifício ou Antigo Testamento.
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