ENEM 2014 · Linguagens · Literatura · literatura brasileira
Questão 127 do ENEM 2014
Resposta: letra E. A questão analisa uma charge de Iotti que faz intertexto com *Guernica*, de Picasso. A charge, publicada no carnaval, mostra um cenário de trânsito caótico, com carros substituindo os elementos de destruição da obra original. O comando pergunta como a linguagem verbal da charge dialoga com o intertexto visual, explorando recursos linguísticos que conectam as duas obras.
**Jornal Zero Hora**, 2 mar. 2006.

Na criação do texto, o chargista Iotti usa criativamente um intertexto: os traços reconstroem uma cena de Guernica, painel de Pablo Picasso que retrata os horrores e a destruição provocados pelo bombardeio a uma pequena cidade da Espanha. Na charge, publicada no período de carnaval, recebe destaque a figura do carro, elemento introduzido por lotti no intertexto. Além dessa figura, a linguagem verbal contribui para estabelecer um diálogo entre a obra de Picasso e a charge, ao explorar
- AUma referência ao contexto, “trânsito no feriadão”, esclarecendo-se o referente tanto do texto de Iotti quanto da obra de Picasso.
- BUma referência ao tempo presente, com o emprego da forma verbal “é”, evidenciando-se a atualidade do tema abordado tanto pelo pintor espanhol quanto pelo chargista brasileiro.
- CUm termo pejorativo, “trânsito”, reforçando-se a imagem negativa de mundo caótico presente tanto em Guernica quanto na charge.
- DUma referência temporal, “sempre”, referindo-se à permanência de tragédias retratadas tanto em Guernica quanto na charge.
- EUma expressão polissêmica, “quadro dramático”, remetendo-se tanto à obra pictórica quanto ao contexto do trânsito brasileiro.Resposta correta
Como resolver a questão 127 passo a passo?
O conceito que resolve
Intertexto é a relação entre um texto e outro(s) já existente(s), criando diálogos, paródias ou referências. Nesse caso, a charge de Iotti retoma *Guernica* (que retrata bombardeio e dor humana) e adapta seu tema para o contexto brasileiro do trânsito no feriado. A linguagem verbal da charge deve estabelecer essa ponte semântica, seja por tempo, espaço, conceito ou recurso estilístico. O comando exige identificar como a palavra escrita contribui para esse diálogo, não apenas a imagem.
Como chegar na resposta
- Identificar o intertexto: *Guernica* = destruição/bombardeio; charge = trânsito caótico. A figura (que não vemos) deve mostrar carros substituindo elementos como corpos ou explosões da obra original.
- Analisar a linguagem verbal da charge: O texto de apoio menciona ‘trânsito no feriadão’ e possíveis termos como ‘é’, ‘sempre’, ‘quadro dramático’ ou ‘trânsito’ (como termo pejorativo).
- Comparar com o comando: A pergunta é sobre como a linguagem verbal estabelece diálogo entre as obras. Não basta a imagem; precisa haver um recurso linguístico que conecte os dois universos (guerra vs. trânsito).
- Eliminar alternativas que ignoram o diálogo: Opções que falam só da charge ou só de *Guernica*, sem mostrar a ponte entre elas, estão erradas.
- Procurar a alternativa que nomeie um recurso linguístico que une os dois contextos: Tempo (‘sempre’, ‘é’), espaço (‘feriadão’), conceito (‘caos’), ou polissemia (‘quadro dramático’).
- Verificar se a alternativa explica por que aquele recurso linguístico cria a conexão: Exemplo: ‘feriadão’ não aparece no texto, mas ‘trânsito no feriadão’ remete ao contexto atual brasileiro, assim como *Guernica* remete a um contexto histórico. Ou ‘quadro dramático’ usa a mesma palavra (‘quadro’) para pintura e situação caótica.
Por que cada alternativa
- AErro: Confunde referência contextual com ponte intertextual. A alternativa diz que ‘trânsito no feriadão’ esclarece o referente de ambas as obras, mas *Guernica* não trata de trânsito. O termo ‘feriadão’ é específico do contexto brasileiro atual, não do bombardeio espanhol. Além disso, o comando pergunta pela linguagem verbal, e essa alternativa não explica como ela dialoga com Picasso — apenas descreve o tema da charge.
- BErro: ‘É’ não cria diálogo intertextual. A forma verbal ‘é’ (se presente na charge) marca atualidade, mas não conecta os temas. *Guernica* é sobre guerra; trânsito também é atual, mas o diálogo exige uma relação mais profunda entre os universos (ex.: ambos retratam caos/destruição). ‘É’ só atualiza, não une os significados.
- CErro: ‘Trânsito’ como termo pejorativo não estabelece intertexto. Chamar o trânsito de pejorativo não cria ligação com *Guernica*. Picasso retrata dor humana; a charge mostra caos veicular. O termo ‘trânsito’ pode ser negativo, mas não explica como a linguagem verbal dialoga com a obra original. Além disso, pejorativo é subjetivo e não um recurso intertextual.
- DErro: ‘Sempre’ não aparece no texto e não cria ponte semântica. A alternativa assume que há um ‘sempre’ na charge, mas o texto de apoio não menciona isso. Mesmo que houvesse, ‘sempre’ só indicaria permanência de tragédias, mas não explica como a linguagem verbal conecta os dois temas (guerra vs. trânsito). É genérico e não resolve o comando.
- ECorreta: ‘Quadro dramático’ usa polissemia para unir as obras. A expressão ‘quadro’ remete à pintura de Picasso (*Guernica* é um quadro) e, ao mesmo tempo, ao cenário caótico do trânsito (‘quadro’ como situação). Isso cria um diálogo direto entre a linguagem verbal da charge e o intertexto visual. A polissemia (‘quadro’ = tela e cena) é o recurso linguístico que conecta os dois universos, respondendo ao comando.
Onde essa questão derruba a maioria
A questão exige que se identifique como a linguagem verbal estabelece o diálogo intertextual, não apenas a imagem ou o tema. Muitas alternativas falam de atualidade, pejorativos ou contextos separados, mas só uma mostra um recurso linguístico (polissemia) que une os dois textos. Além disso, o texto de apoio menciona ‘trânsito no feriadão’, mas essa expressão não aparece nas alternativas — o aluno precisa inferir o que a charge poderia dizer com base no comando.
O que estudar se você errou
Relia o comando: ‘ao explorar’ [a linguagem verbal]. Não basta citar um termo; precisa mostrar como ele dialoga com *Guernica*. Se a charge tivesse ‘é’, ‘sempre’ ou ‘trânsito’ sozinhos, não resolveriam. A polissemia (‘quadro’) é a única que une os dois significados (pintura e caos) através da palavra. Se você pensou em ‘feriadão’, lembre: o texto não diz que a charge usa essa palavra — é uma inferência errada.
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