ENEM 2012 · Ciências Humanas · Filosofia · teoria do conhecimento
Questão 31 do ENEM 2012
Resposta: letra C. O trecho de 'O Príncipe' revela o pensamento de Maquiavel sobre o livre-arbítrio e o acaso, mostrando como ele equilibra a influência divina com a capacidade humana de decisão. Isso reflete o espírito do humanismo renascentista, que valoriza a razão e a autonomia do indivíduo.
Não ignoro a opinião antiga e muito difundida de que o que acontece no mundo é decidido por Deus e pelo acaso. Essa opinião é muito aceita em nossos dias, devido às grandes transformações ocorridas, e que ocorrem diariamente, as quais escapam à conjectura humana. Não obstante, para não ignorar inteiramente o nosso livre-arbítrio, creio que se pode aceitar que a sorte decida metade dos nossos atos, mas \[o livre-arbítrio\] nos permite o controle sobre a outra metade.
_MAQUIAVEL, N. O Príncipe. Brasília: EdUnB, 1979 (adaptado)._
Em O Príncipe, Maquiavel refletiu sobre o exercício do poder em seu tempo. No trecho citado, o autor demonstra o vínculo entre o seu pensamento político e o humanismo renascentista ao
- AValorizar a interferência divina nos acontecimentos definidores do seu tempo.
- BRejeitar a intervenção do acaso nos processos políticos.
- CAfirmar a confiança na razão autônoma como fundamento da ação humana.Resposta correta
- DRomper com a tradição que valorizava o passado como fonte de aprendizagem.
- ERedefinir a ação política com base na unidade entre fé e razão.
Como resolver a questão 31 passo a passo?
O conceito que resolve
O humanismo renascentista é um movimento cultural e filosófico que surgiu na Europa no século XIV, enfatizando a importância da razão, da experiência e da capacidade humana de moldar o próprio destino. Maquiavel, como um dos pensadores desse período, aplica esses princípios ao campo da política, sugerindo que, apesar das forças externas, os seres humanos têm o poder de controlar parte de seus atos.
Como chegar na resposta
- Analisar o trecho para identificar as forças que Maquiavel considera influentes: Deus, acaso e livre-arbítrio.
- Observar como Maquiavel distribui a responsabilidade pelos atos humanos: metade para o acaso e metade para o livre-arbítrio.
- Conectar essa visão com os princípios do humanismo renascentista, que valoriza a autonomia e a razão humana.
- Descartar as alternativas que não refletem essa visão equilibrada de influência divina e controle humano.
Por que cada alternativa
- AMaquiavel não valoriza a interferência divina como definidora; ele a menciona, mas a coloca em pé de igualdade com o acaso e o livre-arbítrio, sugerindo que a ação humana é mais determinante.
- BMaquiavel não rejeita a intervenção do acaso; ele a aceita como parte da realidade, atribuindo-lhe metade do controle sobre os atos, o que é consistente com a visão de que o mundo é imprevisível.
- CMaquiavel afirma a confiança na razão autônoma ao atribuir metade do controle aos seres humanos (livre-arbítrio), indicando que, apesar das forças externas, a ação humana é fundamental.
- DMaquiavel não rompe com a tradição; ele está inserido no contexto do Renascimento, que valoriza o passado (clássico) enquanto busca novas formas de pensar, incluindo a política baseada na razão.
- EMaquiavel não redefine a ação política com base na unidade de fé e razão; ele separa claramente as esferas, atribuindo parte do controle ao acaso e outra parte à vontade humana, sem misturar fé e razão de forma unitária.
Onde essa questão derruba a maioria
A pegadinha está na interpretação de 'Deus e o acaso'. Embora Maquiavel mencione Deus, ele não o coloca como o único ou principal controlador dos eventos. A chave é entender que ele está distribuindo o controle entre forças externas (acaso) e internas (livre-arbítrio), o que é uma postura humanista de autonomia, não de submissão religiosa.
O que estudar se você errou
É importante revisar o conceito de livre-arbítrio no contexto do Renascimento. Maquiavel não nega a existência de forças superiores, mas argumenta que os seres humanos têm a capacidade de tomar decisões independentes dessas forças, o que é o núcleo do humanismo.
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