ENEM 2024 · Linguagens · Inglês · leitura em inglês · Inglês
Questão 4 do ENEM 2024
Resposta: letra A. O texto relata experiências de uma pessoa de origem mexicana nos EUA, destacando pressões para abandonar o sotaque espanhol ao falar inglês, a humilhação por não pronunciar o inglês como esperado e a obrigatoriedade de cursos para 'corrigir' acentos. A mãe da narradora também cobrava um inglês 'sem sotaque mexicano'. O problema central é a imposição de uma única forma de falar inglês, associada a preconceitos e exclusão cultural.
I remember being caught speaking Spanish at recess [...] I remember being sent to the corner of the classroom for “talking back” to the Anglo teacher when all I was trying to do was tell her how to pronounce my name. “If you want to be American, speak ‘American’. If you don’t like it, go back to Mexico where you belong”.
“I want you to speak English […]”, my mother would say, mortified that I spoke English like a Mexican. At Pan American University, I and all Chicano students were required to take two speech classes. Their purpose: to get rid of our accents.
ANZALDÚA, G. Borderlands/La Frontera: The New Mestiza.
San Francisco: Aunt Lute Books, 1987.
O problema abordado nesse texto sobre imigrantes residentes nos Estados Unidos diz respeito aos prejuízos gerados pelo(a)
- Arepúdio ao sotaque espanhol no uso do inglês.Resposta correta
- Bresignação diante do apagamento da língua materna.
- Cescassez de oportunidades de aprendizado do espanhol.
- Dchoque entre falantes de línguas distintas de diferentes gerações.
- Econcorrência entre as variações linguísticas do inglês e as do espanhol.
Como resolver a questão 4 passo a passo?
O conceito que resolve
O comando pergunta sobre os *prejuízos gerados* por uma situação específica no texto: a rejeição ao sotaque espanhol no uso do inglês. Não se trata apenas de diferenças linguísticas, mas de como essa rejeição causa danos à identidade, à autoestima e à manutenção da língua materna. O foco está no *impacto negativo* dessa atitude (pressão, vergonha, obrigatoriedade de cursos humilhantes), não na causa isolada ou na competição entre línguas. O texto mostra que o problema não é 'falar espanhol' ou 'não saber inglês', mas a *violência simbólica* por trás da exigência de uma única norma linguística.
Como chegar na resposta
- Identificar o núcleo do problema no texto: O que causa sofrimento ou dano à narradora? Não é a diferença de sotaque em si, mas a *reação negativa* a ela (xingamentos, castigos, cursos obrigatórios para 'eliminar o sotaque'). Anote frases-chave: *'get rid of our accents'*, *'go back to Mexico'*, *'speak English like a Mexican'* (com tom pejorativo).
- Diferenciar causa de consequência: O comando pergunta pelos *prejuízos gerados* (efeitos negativos), não pela causa do problema. Por exemplo: a causa pode ser o preconceito linguístico, mas o prejuízo é a *perda de identidade* ou a *internalização da vergonha*.
- Analisar cada alternativa quanto ao prejuízo: Elimine aquelas que falam de *causas* (ex.: 'concorrência entre línguas'), *neutralidade* (ex.: 'escassez de oportunidades') ou *descritores genéricos* (ex.: 'choque entre gerações'). O texto não menciona gerações ou falta de oportunidades, mas sim *violência contra a variação linguística*.
- Localizar a alternativa que nomeia o prejuízo específico: A única que descreve um *dano concreto* causado pela rejeição ao sotaque é a que fala de *repúdio* (rejeição explícita e agressiva) e seus efeitos (humilhação, obrigatoriedade de cursos para 'apagar' traços culturais).
- Verificar se o texto suporta a alternativa escolhida: Todas as cenas do texto (recess, sala de aula, universidade) mostram situações onde o sotaque espanhol é *repudiado* e isso gera prejuízos (vergonha, exclusão). Isso alinha com a alternativa A.
Por que cada alternativa
- AResolve o comando: O texto descreve *repúdio* (rejeição explícita e agressiva) ao sotaque espanhol no inglês, com prejuízos claros: a narradora é humilhada, enviada ao canto, obrigada a cursos para 'eliminar o sotaque'. A alternativa nomeia corretamente o problema central e seus efeitos negativos. O termo 'repúdio' abrange tanto a violência direta ('go back to Mexico') quanto as práticas institucionais (cursos obrigatórios).
- BErro: Confunde consequência com solução. A narradora *não se resigna* ao apagamento da língua materna: ela relata a dor e a resistência ('*mortified*' que fala inglês 'como mexicana'). A alternativa sugere que ela aceita passivamente o processo, o que contraria o tom de revolta do texto. Além disso, o comando pergunta pelos *prejuízos gerados*, não pela atitude da vítima.
- CErro: Inventa um problema inexistente. O texto não menciona *escassez de oportunidades de aprendizado do espanhol*. Pelo contrário: a língua espanhola é presente (sotaque, nome da autora, contexto familiar), mas o problema é a *perseguição* a ela, não sua falta de acesso. Essa alternativa desvia para um tema não abordado (educação bilíngue) e ignora o foco no preconceito linguístico.
- DErro: Generaliza para 'gerações' sem base. O texto não fala de *choque entre falantes de línguas distintas de diferentes gerações*. A tensão é entre a comunidade chicana (incluindo a mãe da narradora) e os falantes de inglês 'padrão' (professores, universidade), não entre avós e netos. Além disso, 'gerações' não explica os prejuízos específicos (sotaque, nome mal pronunciado).
- EErro: Descreve um fenômeno neutro como problema. A 'concorrência entre variações linguísticas' é um fato comum, mas o texto não apresenta isso como um *prejuízo*. Pelo contrário: mostra que a *reação preconceituosa* a essa concorrência é que gera danos (exclusão, vergonha). A alternativa ignora o aspecto de violência e poder por trás das variações linguísticas.
Onde essa questão derruba a maioria
A alternativa E é a mais perigosa porque parece 'acadêmica': usa termos como 'variações linguísticas' e 'concorrência', que soam técnicos e podem fazer o candidato pensar em uma análise mais 'profunda'. Porém, o texto não trata isso como um problema em si, mas como um *alvo de repúdio*. Outra armadilha é a alternativa B, que pode atrair quem lê rápido e acha que a narradora 'aceita' a situação, mas o tom do texto é de resistência e dor, não de resignação.
O que estudar se você errou
Relia o primeiro parágrafo com atenção: a narradora é *enviada ao canto* por falar espanhol no recreio e *xingada* por não pronunciar inglês como esperado. Esses são *prejuízos claros* causados pelo repúdio ao sotaque. Depois, observe que as outras alternativas falam de coisas que *não estão no texto*: oportunidades de aprendizado, gerações, ou fenômenos neutros. O comando é sobre *prejuízos*, então a alternativa certa deve descrever algo que *fere*, *humilha* ou *exclui* — e só a A faz isso.
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