ENEM 2016 · Linguagens · Literatura · literatura brasileira
Questão 120 do ENEM 2016
Resposta: letra B. O poema 'Esses chopes dourados' explora a evolução das relações intergeracionais, destacando como a violência física na educação foi passada de uma geração para outra. O eu lírico, pertencendo à 'geração do meio', reflete sobre o erro de perpetuar a violência que sofreu, enquanto a geração mais jovem já rejeita esse modelo. A angústia central é a realização de que, apesar de serem vítimas, também foram perpetradores, tornando-os 'amaldiçoados' por não terem quebrado o ciclo de violência.
**Esses chopes dourados**
\[…\]
quando a geração de meu pai
batia na minha
a minha achava que era normal
que a geração de cima
só podia educar a de baixo
batendo
quando a minha geração batia na de vocês
ainda não sabia que estava errado
mas a geração de vocês já sabia
e cresceu odiando a geração de cima
aí chegou esta hora
em que todas as gerações já sabem de tudo
e é péssimo
ter pertencido à geração do meio
tendo errado quando apanhou da de cima
e errado quando bateu na de baixo
e sabendo que apesar de amaldiçoados
éramos todos inocentes.
WANDERLEY, J. In: MORICONI, II (Org.). **Os cem melhores poemas brasileiros do século**, Rio de Janeiro: Objetiva, 2001 (fragmento)
Ao expressar uma percepção de atitudes e valores situados na passagem do tempo, o eu lírico manifesta uma angústia sintetizada na
- ACompreensão da efemeridade das convicções antes vistas como sólidas.
- BConsciência das imperfeições aceitas na construção do senso comum.Resposta correta
- CRevolta das novas gerações contra modelos tradicionais de educação.
- DIncerteza da expectativa de mudança por parte das futuras gerações.
- ECrueldade atribuída à forma de punição praticada pelos mais velhos.
Como resolver a questão 120 passo a passo?
O conceito que resolve
O texto aborda a temática da violência doméstica e educacional, analisando como padrões de comportamento são transmitidos entre gerações. Ele introduz o conceito de 'geração do meio' como um ponto de virada, onde a consciência sobre o erro da violência começa a emergir, mas ainda não é forte o suficiente para interromper o ciclo. A conclusão é uma reflexão sobre a responsabilidade compartilhada e a necessidade de mudança.
Como chegar na resposta
- Análise do contexto histórico: A primeira geração aceita a violência como norma; a segunda a perpetua sem questionar; a terceira a rejeita.
- Identificação do eu lírico: Pertence à 'geração do meio', que sofreu violência e a aplicou, mas agora reconhece o erro.
- Reflexão sobre a culpa: Apesar de serem vítimas, são considerados 'amaldiçoados' por não terem parado o ciclo, indicando uma consciência de imperfeição e falha moral.
- Conclusão sobre a angústia: A angústia vem da realização de que o senso comum da época estava errado e que a geração do meio falhou em corrigir isso.
Por que cada alternativa
- AO eu lírico não está apenas observando a mudança; ele está lamentando ter participado de um sistema que agora sabe ser errado. A angústia vem da ação, não apenas da observação.
- BEsta é a resposta correta. O poema trata explicitamente de como a violência era 'normal' e 'aceita' na época, mas agora é vista como um erro. A geração do meio viveu essa transição e sente-se culpada por não ter rejeitado o senso comum mais cedo.
- CO poema menciona que a nova geração 'odiará' a geração de cima, mas a angústia do eu lírico não é sobre a revolta dos outros, é sobre sua própria participação no erro. A revolta é um efeito, não a causa da angústia.
- DO texto é bastante certo de que a nova geração rejeitará a violência. A incerteza está na própria geração do meio, que não sabe se conseguiu mudar o suficiente ou se apenas passou o problema adiante.
- EEmbora a crueldade seja mencionada, a angústia principal não é sobre a crueldade em si, mas sobre o fato de que a geração do meio também praticou essa crueldade, tornando-se parte do problema.
Onde essa questão derruba a maioria
A pegadinha está em confundir a 'revolta' da nova geração com a 'angústia' da geração do meio. A geração do meio não está revoltada; está arrependida. A revolta é um fenômeno observado, enquanto a angústia é um sentimento vivido pelo narrador. A alternativa correta foca no 'senso comum' porque o poema critica a aceitação social da violência, não apenas a violência em si.
O que estudar se você errou
É importante distinguir entre a descrição de um evento (a violência) e a reflexão sobre esse evento (a angústia). O eu lírico não está apenas contando uma história; ele está analisando seu papel nessa história. A 'consciência das imperfeições' é o que leva à angústia, pois implica que o narrador teve a oportunidade de fazer diferente e não fez.
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