ENEM 2015 · Linguagens
Questão 99 do ENEM 2015
Resposta: letra A. O eu lírico diz ao interlocutor que ele já morre e renasce todos os dias no amor, na tristeza, na dúvida e no desejo, e que assim se torna eterno. É pela capacidade de se emocionar que o ser humano se renova e se eleva espiritualmente.
**Cântico VI**
Tu tens um medo de
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno.
MEIRELES, C. **Antologia poética**. Rio de Janeiro: Record, 1963 (fragmento).
A poesia de Cecília Meireles revela concepções sobre o homem em seu aspecto existencial. Em Cântico VI, o eu lírico exorta seu interlocutor a perceber, como inerente à condição humana,
- AA sublimação espiritual graças ao poder de se emocionar.Resposta correta
- BO desalento irremediável em face do cotidiano repetitivo.
- CO questionamento cético sobre o rumo das atitudes humanas.
- DA vontade inconsciente de perpetuar-se em estado adolescente.
- EUm receio ancestral de confrontar a imprevisibilidade das coisas.
Como resolver a questão 99 passo a passo?
O conceito que resolve
Lirismo de Cecília Meireles: reflexão sobre a efemeridade, a passagem do tempo e a transcendência, com musicalidade e tom espiritual. A morte é vista como transformação contínua.
Como chegar na resposta
- O interlocutor tem medo de acabar.
- O eu lírico mostra que ele 'acaba' e se 'renova' todo dia pelas emoções.
- Esse processo leva à eternidade: sublimação pelo poder de se emocionar.
Por que cada alternativa
- ACorreta: a renovação pelas emoções conduz à elevação espiritual e à eternidade.
- BO poema não é de desalento; aponta a renovação constante.
- CNão há ceticismo sobre o rumo das atitudes humanas.
- DNão há referência a perpetuar um estado adolescente.
- EO medo citado é o de acabar, e o poema mostra como superá-lo.
O que estudar se você errou
Cecília Meireles e a poesia espiritualista do Modernismo.